Impostos
Salário líquido em 2026: cada desconto do holerite explicado
Atualizado em 25 de setembro de 2026 · leitura de ~7 min
Você negociou um salário de R$ 5.000, mas na conta caiu bem menos. Nada de errado com o RH — é assim mesmo que funciona. Entre o "bruto" combinado e o "líquido" que você recebe, tem uma fila de descontos. Vamos abrir o holerite e entender cada um deles.
Bruto x líquido: a diferença que importa
O salário bruto é o valor registrado na sua carteira. O líquido é o que sobra depois dos descontos obrigatórios (INSS e Imposto de Renda) e dos opcionais (plano de saúde, vale-transporte etc.). Na hora de comparar propostas ou planejar as contas, o número que vale é sempre o líquido — é ele que você de fato tem pra gastar.
1º desconto: o INSS
O INSS é a sua contribuição pra Previdência — o que garante aposentadoria, auxílio-doença, licença-maternidade e outros direitos. Para quem é CLT, ele é progressivo: o salário é dividido em faixas, e cada faixa tem uma alíquota (de 7,5% a 14%).
O detalhe que confunde todo mundo: a alíquota da sua faixa não incide sobre o salário inteiro. Cada pedaço do salário paga a alíquota da sua faixa, como degraus. E existe um teto: a partir de certo valor, o desconto do INSS trava e não sobe mais, por maior que seja o salário.
2º desconto: o Imposto de Renda (IRRF)
Com o INSS já descontado, calcula-se o Imposto de Renda Retido na Fonte. A base não é o bruto cheio: dela se abatem o INSS e as deduções permitidas — a principal é a dedução por dependente. Você também pode optar pelo desconto simplificado, uma dedução fixa que compensa quando abate mais do que as deduções normais.
Sobre essa base final aplica-se a alíquota da faixa (de 7,5% a 27,5%) e subtrai-se a parcela a deduzir. Quem fica abaixo do limite de isenção simplesmente não paga.
A grande novidade de 2026: isenção até R$ 5.000
Aqui está a mudança que mais mexe no bolso do brasileiro. Pela Lei nº 15.270/2025, a partir de janeiro de 2026, quem tem rendimento tributável de até R$ 5.000 por mês fica isento de Imposto de Renda na fonte. E não é um "tudo ou nada": entre R$ 5.000 e R$ 7.350 existe uma redução que vai diminuindo aos poucos, até zerar. Acima disso, a regra volta a ser a de sempre.
Na prática, milhões de trabalhadores passam a receber um pouco mais líquido sem que o salário bruto mude. Vale conferir no seu caso — a diferença pode ser relevante.
Veja quanto sobra pra você
Coloque o salário bruto, dependentes e outros descontos. A calculadora já aplica o INSS, o IRRF e a isenção de 2026, e mostra a alíquota efetiva.
Abrir a calculadora de salário líquidoOs "outros descontos"
Depois dos impostos, ainda podem sair do holerite: vale-transporte (até 6% do salário), a sua parte no plano de saúde ou odontológico, vale-refeição, contribuição sindical (hoje opcional), adiantamentos e coisas do tipo. Esses valores reduzem o que cai na conta, mas — atenção — em geral não reduzem a base do Imposto de Renda no cálculo mensal. Algumas despesas, como saúde, só entram como dedução lá na declaração anual.
E o 13º e as férias?
Não entram nesse cálculo mensal. O 13º salário tem tributação própria de INSS e IRRF, calculada à parte. As férias também têm regras específicas, incluindo o terço constitucional. Cada um merece a sua própria conta.
Por que isso importa pra você
Entender os descontos não é só curiosidade: é o que te permite conferir se o holerite está certo, negociar salário sabendo o líquido real e planejar o orçamento sem susto. E, com o que sobra organizado, dá pra dar o próximo passo — montar a reserva de emergência e colocar o dinheiro pra render com juros compostos.
As alíquotas e faixas citadas seguem as tabelas oficiais de 2026 (Receita Federal e Portaria do INSS). As regras podem ser atualizadas pelo governo — confirme sempre a tabela vigente antes de decisões importantes.